Givancir Oliveira, que disse que a prefeitura estava em dia com as empresas de ônibus apesar de dever R$ 190 milhões, anunciou pré-candidatura no mesmo partido de David Almeida, o Avante
O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, utilizou as redes sociais para se anunciar pré-candidato a deputado estadual pelo Avante após protagonizar a paralisação que suspendeu 100% da frota de ônibus da capital amazonense. O lançamento ocorre no mesmo grupo político que terá David Almeida como candidato ao Governo do Amazonas e Shádia Fraxe como vice. A convenção do partido será realizada nesta quinta-feira (23/7), quando as candidaturas da legenda serão oficializadas.
O próprio Givancir divulgou a pré-candidatura em um novo perfil no Instagram, criado recentemente, onde publicou um convite para apoiadores participarem da convenção do Avante. A nova conta possui cerca de 279 seguidores, enquanto o perfil antigo do sindicalista reúne aproximadamente 4,3 mil seguidores. “Quem tá na labuta todo santo dia sabe o valor de quem entende a nossa realidade. Por isso, vamos lá, sim! Bora lotar essa convenção e mostrar a força da massa trabalhadora rodoviária de Manaus”, escreveu Givancir na publicação.
Greve virou disputa política
Durante a paralisação dos ônibus, o prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), atribuiu a crise ao Governo do Amazonas e cobrou o pagamento de recursos relacionados ao vale estudantil. A versão foi contestada pelo vice-governador Serafim Corrêa (PSB), que apresentou uma ação judicial do próprio Sinetram apontando que a Prefeitura de Manaus acumulava uma dívida de R$ 190,4 milhões com empresas do transporte coletivo, referente a repasses de 2025 e 2026.
Na sequência, o governador Roberto Cidade (União Brasil) determinou o pagamento de R$ 18 milhões referentes ao vale estudantil e divulgou o comprovante da transferência. O governador afirmou que preferia solucionar o problema a alimentar disputas políticas.
Horas depois, a Prefeitura confirmou o recebimento do recurso e, com o impasse resolvido, Givancir anunciou o fim da paralisação. “Os rodoviários já entenderam o recado. Minha determinação já chegou a todos os trabalhadores. Então, neste momento, 100% da frota já deve estar rodando. A greve está suspensa”, declarou o sindicalista na quarta-feira (22/7).
Mesmo com a apresentação pública do processo do Sinetram e do Sindicato dos Rodoviários cobrando o pagamento de mais de R$ 190 milhões pela prefeitura, Givancir insistiu em criticar o governo, que honrou seu compromisso e “esqueceu” de citar a responsabilidade financeira do município de Manaus.
Histórico de controvérsias
A entrada de Givancir Oliveira na disputa eleitoral ocorre após uma trajetória marcada por episódios polêmicos. Em 2020, ele se afastou da presidência do Sindicato dos Rodoviários após ser preso sob suspeita de envolvimento no homicídio de um jovem em Iranduba.
Na época, chegou a usar tornozeleira eletrônica. Dois anos depois, em 2022, a Justiça arquivou o processo por falta de provas. Agora, Givancir tenta transformar sua atuação à frente da categoria dos rodoviários em capital político para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas.