Transformação artística: Edifícios de Manaus se tornam ‘telas gigantes’ para exibir criações únicas

Em Manaus, os edifícios Rio Madeira e Cidade de Manaus, localizados no bairro Centro, zona sul da capital, estão ganhando destaque como ‘telas gigantes’ para abrigar obras de arte dos artistas visuais Denilson Baniwa e Olinda Silvano. Essa iniciativa faz parte do Circuito Urbano de Arte (Cura), que pela primeira vez chega ao Norte do país com o nome de Cura Amazônia.

As pinturas podem ser apreciadas a partir de um mirante montado pelo Cura na lateral do Teatro Amazonas, no Largo São Sebastião, proporcionando uma visão privilegiada das duas construções. O projeto conta com o apoio do Governo do Amazonas, através da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

O secretário Marcos Apolo Muniz, titular da pasta, expressa a satisfação em receber essa importante iniciativa, destacando o compromisso do estado com as artes visuais e o diálogo com os trabalhadores da cultura, especialmente através de intervenções urbanas.

O artista visual e curador Denilson Baniwa, responsável pela empena do prédio Cidade Manaus, mostra entusiasmo ao retornar a Manaus para dar ‘vida’ à sua obra. Originário do município de Barcelos, ele considera a oportunidade de pintar um prédio como uma forma de representar tanto sua cultura Baniwa quanto a cultura amazônica.

A inspiração para a obra de Denilson – que inicialmente será chamada de ‘Piracema’ – veio da conversa com a curadoria do projeto. O tema central gira em torno dos rios e da natureza fluvial da Amazônia, com o artista abordando a importância do peixe como base alimentar para os povos indígenas e amazônicos antes da chegada dos europeus.

Retrato de um povo

O edifício Rio Madeira, por sua vez, ganha cor pelas mãos de Olinda Silvano, tecelã, muralista amazônica que é uma importante liderança do povo Shipibo-Konibo, da comunidade de Cantagallo, em Lima, no Peru. Com a obra ‘Cosmo e Energia Amazônica’, a artista retrata a cultura e os costumes de seu povo.

Por meio da arte Kené, uma técnica ancestral caracterizada por suas linhas e padrões geométricos, a muralista representa a cosmologia, a tradição e a estética indígena dos Shipibo-Konibo, interpretados através dos rituais com Ayahuasca e Piri Piri. Seu trabalho como artista contemporânea é uma trajetória de três décadas, reconhecida internacionalmente com exposições e workshops no Peru, Canadá e Espanha, por exemplo.

Segundo ela, a obra de Manaus é a maior que já assinou e, para isso, contou com a colaboração de uma equipe de artistas, entre os quais, o filho Ronin Koshi. Olinda explica que a obra expressa o caminho de seus ancestrais, com os rituais de cura que contribuíram para o crescimento com muita força, energia e conhecimento. “Sou grata pelo Cura, com toda a sua equipe técnica pelo convite de estar aqui. Nesta oportunidade estou realizando o sonho de conhecer Manaus, e é maravilhoso sentir essa energia dos povos indígenas, que nos reconhece em suas origens e não duvidam de quem somos,” conclui a artista.

Cura Amazônia

O Cura Amazônia é uma realização da Agência Urbana de Arte (AGUA), com patrocínio da 3M, apoio da Tintas Coral, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Centro Cultural Casarão de Ideias (CCCI) e Centro de Atenção à Saúde e Segurança no Trabalho (CASST), além da produção local do coletivo Graffiti Queens e incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

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