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Curtas amazonenses estreiam no Cine Carmen Miranda com sessões gratuitas nesta semana

O cinema amazonense segue em plena atividade com a estreia de duas novas produções locais no Cine Carmen Miranda, no Centro de Manaus. As sessões são gratuitas e abertas ao público. Nesta quinta-feira (26), às 19h15, entra em cartaz o documentário “Médiuns – Mulher trans e sua busca ancestral nos terreiros afro-brasileiros”, da diretora Iza Donjie. Já no sábado (28), às 20h45, será exibido o curta de ficção “O Caminhão do Lixo”, dirigido e roteirizado por Aiub Serrão.

Além das estreias, o Cine Carmen Miranda segue com sua programação especial. O ciclo Mestre Kurosawa exibe os clássicos “Cão Danado”, na quinta (26), às 17h, e “Rashomon”, no sábado (28), às 17h30. Em clima de romance, a mostra Estação do Amor apresenta “Dirty Dancing – Ritmo Quente”, na sexta-feira (27), às 19h30, e “Casablanca”, no sábado (28), às 19h. Para os apreciadores do cinema soviético, a sexta também conta com a exibição de “Outubro”, de Sergei Eisenstein, às 17h. Todas as sessões são gratuitas.

Representatividade e ancestralidade em pauta

Em Médiuns, a cineasta Iza Donjie mergulha na vivência de mulheres trans em terreiros de candomblé e umbanda em Manaus. Com 34 minutos de duração, o documentário reúne depoimentos íntimos que discutem espiritualidade, identidade de gênero e acolhimento nas religiões afro-brasileiras. A obra conta com a participação do babalorixá Leonel Worton, que compartilha reflexões sobre o papel das lideranças religiosas no enfrentamento à transfobia nos espaços de fé.

O filme também é um convite à reflexão sobre como os corpos trans constroem pertencimento em territórios historicamente marcados por exclusões, mas que também abrigam potências de cura e reconstrução. O roteiro é assinado por Sue Bezerra, com produção de Marcos Salvatore e participações de Pâmela Santos e Fernanda Maya.

Curta traz metáfora social sobre violência de gênero

Com uma abordagem ficcional, O Caminhão do Lixo propõe uma metáfora visual das desigualdades e da violência enfrentada por pessoas LGBTQIAPN+ nas periferias urbanas. A narrativa gira em torno de Magdalena, profissional do sexo, que se vê em meio a riscos e dilemas envolvendo outros personagens, como João e Piva — este último um criminoso implacável que não tolera desvios em suas “regras”.

A obra retrata com dureza os efeitos da exclusão social e da marginalização, ao mesmo tempo em que convida o espectador a repensar a normalização da violência contra corpos dissidentes. O curta é uma produção da Kambada Baré Filmes e Lopes Produções, com apoio da Lei Paulo Gustavo.

Sobre o Cine Carmen Miranda

Localizado na Rua do Congresso, nº 10, no Centro de Manaus (ao lado da Praça do Congresso, próximo à Biblioteca Municipal), o Cine Carmen Miranda é um cinema de rua que completou um ano de atividades. A iniciativa é da Associação Cultural Apareceu a Margarida (Acam), sob a coordenação do artista Michel Guerrero, e conta com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura, da Prefeitura de Manaus, da Manauscult e do Conselho Municipal de Cultura.

 

O espaço também mantém parcerias com o Instituto Cultural Hiléia Amazônica, a À La Carte Belas Artes e a Aliança Francesa Manaus, ampliando o acesso à produção audiovisual independente, nacional e internacional, em pleno coração da capital amazonense.

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