Foto: Lucas Bonny

Toada do Garantido destaca protagonismo de mulheres indígenas artesãs no Festival de Parintins 2025

O Festival Folclórico de Parintins 2025 promete emocionar o público com um tributo especial às mulheres indígenas artesãs. A nova toada do Boi-Bumbá Garantido, intitulada “Artesãs Indígenas”, celebra os saberes, tradições e legados das mulheres que fazem do artesanato uma expressão de resistência e identidade cultural. A canção integra o álbum “Boi do povo, boi do povão” e já ultrapassou 60 mil visualizações no YouTube.

Assinada pelos compositores Geandro Matos, Ulisses Rodrigues, José Carlos e Wanderson Rodrigues, a toada presta homenagem a diversas associações de mulheres indígenas envolvidas na cadeia do artesanato, especialmente aquelas que integram o projeto “Parentas que Fazem”, iniciativa voltada ao fortalecimento da sociobioeconomia indígena no Amazonas.

Protagonismo feminino na arena

A composição reverencia o trabalho de organizações como a Numiã Kura (AMARN), ASSAI, AMIMSA, e Watyamã, além de outras entidades como AMISM e AMIARN. Essas associações reúnem mulheres de diversos povos indígenas, como Sateré-Mawé, Baniwa, Hixkaryana, Yanomami, Tikuna e Kokama, que mantêm vivas técnicas tradicionais como cestaria, cerâmica, grafismo e tecelagem com fibras naturais, como a do tucum.

O verso “As parentas que fazem a arte que vem do coração da floresta e encanta os olhos do mundo” traz uma menção direta ao projeto e reforça a valorização dessas práticas ancestrais.

Arte que vem da floresta

A Numiã Kura, considerada a mais antiga associação de mulheres indígenas do Brasil, é referência nacional na produção de biojoias, bolsas e acessórios com tucum. “Estamos imensamente felizes com essa honrosa indicação na toada do Garantido. O artesanato das mulheres indígenas merece cada vez mais reconhecimento e valorização”, afirma Maria Isabel de Oliveira da Silva, do povo Dessano.

Já a ASSAI, com sede em São Gabriel da Cachoeira, se destaca pela arte da tecelagem com arumã. Outras técnicas também são evidenciadas na toada, incluindo gravura, cestaria e grafismos representativos de diferentes povos amazônicos.

Tradição e inovação no mesmo compasso

A canção ganha ainda mais força na voz da cantora Márcia Siqueira e se diferencia por incluir a participação de artesãs e representantes Sateré-Mawé na gravação. Entre elas estão Moy, Yará, Inara e Turí Sateré-Mawé, com destaque para a liderança de Moy, reconhecida por sua atuação na bioeconomia indígena.

Para Socorro Batalha, da Comissão de Artes do Garantido, a proposta é mostrar, no bumbódromo, como o saber ancestral é repassado entre gerações. “Queremos evidenciar como o ofício das artesãs é herdado e como essas mulheres são protagonistas desse fazer”, explica.

Projeto “Parentas que Fazem” impulsiona o empreendedorismo indígena

Idealizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do Google.org e parceria com a Coiab e a Rede Makira-E’ta, o projeto “Parentas que Fazem” já capacitou 374 mulheres indígenas em sua primeira fase, encerrada em dezembro de 2024.

Foram realizadas oficinas de empreendedorismo, com destaque para a participação do estilista Maurício Duarte, que levou sua experiência na moda amazônica a comunidades como Yabi (povo Baré), em São Gabriel da Cachoeira, e à sede da AMARN, em Manaus.

O projeto também mapeou 118 organizações de mulheres indígenas da região, identificando oportunidades de investimento em sociobioeconomia e ampliando o protagonismo feminino.

Valorização dos saberes ancestrais

Para Rosa dos Anjos, líder do Programa de Protagonismo Indígena da FAS, a homenagem no Festival de Parintins representa um marco. “O Garantido reconhece, com justiça, a importância dos povos indígenas e das mulheres artesãs. Com o apoio do projeto, elas mostram que a arte indígena é resistência, identidade e cultura”, afirma.

Sobre as organizações parceiras

  • FAS (Fundação Amazônia Sustentável) atua há 17 anos pela conservação da floresta e melhoria da qualidade de vida de populações amazônicas. Já contribuiu para reduzir em 39% o desmatamento nas áreas atendidas.
  • Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) representa povos indígenas de nove estados da Amazônia, promovendo o direito à terra, educação, saúde e sustentabilidade.
  • Makira E’ta é uma rede de mulheres indígenas do Amazonas com foco no desenvolvimento social, político e econômico das mulheres, especialmente nas comunidades mais isoladas.

A toada “Artesãs Indígenas” é mais do que uma música: é um reconhecimento público da força e do valor das mulheres indígenas da Amazônia.

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