Manaus recebe, no dia 10 de novembro, às 19h30, a abertura da exposição da Residência Artística Periférica (RAP). A mostra apresenta ao público os trabalhos desenvolvidos pelos artistas Ana Paula Abreu, Dayo do Nascimento e Benner Siqueira durante o programa de residência, que integra o projeto Formações Artísticas Periféricas, realizado pelo Instituto Arte na Escola.
A iniciativa busca fortalecer a produção artística nos territórios periféricos, ampliando as oportunidades de formação, experimentação e circulação cultural. O evento é gratuito, aberto ao público geral e acontece no Centro Cultural Casarão de Ideias (Rua Saldanha Marinho, 717, Centro, Manaus)
Com diferentes trajetórias e linguagens artísticas, os três residentes desenvolveram pesquisas que dialogam com suas vivências e com questões sociais e culturais presentes em seus territórios.
As produções abordam temas como pertencimento, ancestralidade, diversidade, identidade de gênero e inclusão, a partir de perspectivas que aproximam a criação artística das experiências cotidianas.
“A Residência Artística Periférica reafirma nosso compromisso com a valorização da produção cultural das periferias, reconhecendo esses territórios como espaços de criação, conhecimento e expressão artística.
Ao oferecer oportunidades de formação, experimentação e desenvolvimento de projetos, buscamos fortalecer as trajetórias dos artistas e ampliar o diálogo entre suas produções e as comunidades. A edição recebeu mais 50 candidaturas entre artistas e coletivos, um número que mostra que é extremamente importante investimentos em projetos como este”, afirma Claudio Anjos, presidente do Instituto Arte na Escola.
Arte, identidade e pertencimento
Entre os trabalhos apresentados está a pesquisa da artista visual e performer Ana Paula Abreu, que investiga as relações entre corpo, território e cotidiano. Nascida e criada em Manaus, a artista parte da diversidade de experiências, identidades e formas de pertencimento que constituem a cidade para desenvolver sua produção. Por meio da performance e das artes visuais, sua pesquisa propõe reflexões sobre as conexões entre o corpo, o espaço geográfico e as vivências que atravessam ambos.
Para Ana Paula, a residência proporcionou um ambiente de acompanhamento e desenvolvimento artístico. “Eu espero que a exposição seja um sucesso, que seja acessível para todos os tipos de públicos e que a experiência dos públicos seja incrível”, afirma. A artista, que é graduada em Artes Visuais, especialista em Ensino das Artes e mestranda em Ciências Humanas, destaca a importância da formação artística para a construção de uma percepção crítica e para o reconhecimento das diferentes formas de existir e pertencer.
Outro destaque é “Transição é Norte”, projeto do artista multimídia, fotógrafo e gestor cultural Dayo do Nascimento. Nascido e criado na periferia de Manaus, Dayo desenvolve uma pesquisa que investiga a construção da transmasculinidade a partir do corpo como território de memória e invenção. Sua produção transita pela fotografia, vídeo, lambe-lambe e performance, articulando questões relacionadas à raça, gênero, território e pertencimento.
A pesquisa parte de suas próprias experiências e da necessidade de construir outras narrativas sobre corpos transmasculinos, frequentemente invisibilizados. Para o artista, a residência representa uma oportunidade de aprofundar o trabalho com orientação, acompanhamento curatorial e condições materiais para sua realização.
“Participar da Residência Artística Periférica (RAP) é uma oportunidade ímpar e um divisor de águas na minha trajetória”, afirma Dayo. Segundo ele, a possibilidade de desenvolver uma pesquisa com bolsa, permanecendo em Manaus e contando com acompanhamento institucional, é especialmente significativa diante das dificuldades de acesso a oportunidades de formação e produção artística na região.
Já o bailarino e artista da dança Benner Siqueira apresenta “FLUTUA”, performance que aborda o autismo a partir da figura do peixe-boi como metáfora. Natural de Itamarati, no interior do Amazonas, e criado em Manaus desde a infância, o artista desenvolve trabalhos que aproximam as danças urbanas e contemporâneas do teatro de formas animadas.
A criação surgiu de suas experiências familiares e da convivência com o sobrinho, que está em processo de investigação para o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A partir dessa vivência, Benner buscou aprofundar seus conhecimentos sobre o tema e incorporar à performance experiências e relatos relacionados aos desafios enfrentados por famílias na busca por direitos e inclusão.
Esta é a primeira residência artística de Benner, que destaca a importância da iniciativa para o desenvolvimento de artistas independentes. “O projeto RAP Manaus está sendo um divisor de águas em minha carreira de artista independente”, afirma. Para ele, a formação e o contato com diferentes expressões artísticas são fundamentais para ampliar perspectivas e oportunidades, especialmente entre crianças e jovens das periferias.
Formação artística e valorização dos territórios
Além de incentivar a produção de novas obras, o Programa de Residências Artísticas Periféricas busca oferecer condições para que artistas aprofundem suas pesquisas, compartilhem experiências e ampliem suas possibilidades de atuação profissional.
Em Manaus, a iniciativa conta com o apoio do Centro Cultural Casarão de Ideias, espaço que participa do acompanhamento e desenvolvimento dos processos artísticos. A residência também contribui para a valorização da produção cultural local, reconhecendo as periferias como territórios de criação, conhecimento e transformação social.
Ao reunir artistas com diferentes linguagens e trajetórias, a exposição evidencia a diversidade da produção artística amazonense e a importância de iniciativas que aproximam formação, cultura e território.