Estalos no joelho nem sempre indicam lesão; saiba quando procurar ajuda

Ojoelho pode estalar ao subir escadas, agachar ou levantar de uma cadeira. Para muitas pessoas, o barulho desperta o receio de que a articulação esteja “desgastada”. Pesquisas brasileiras, porém, indicam que a crepitação, nome técnico para estalos, rangidos ou sensação de atrito durante o movimento, deve ser avaliada junto com outros sinais. O som isolado não permite concluir que exista uma lesão nem determinar sua gravidade.

Um estudo de pesquisadores ligados à Universidade Estadual Paulista (Unesp) comparou mulheres com dor femoropatelar — dor na região da patela — a mulheres sem dor. A crepitação foi mais frequente entre as participantes com dor. Nesse grupo, contudo, o ruído não se relacionou à intensidade da dor, ao nível de atividade física ou à função autorrelatada. O resultado aponta uma associação entre os grupos, mas não permite usar o estalo, isoladamente, como indicador da condição de uma pessoa.

Uma revisão sistemática publicada em 2025 reuniu 103 estudos, com mais de 36 mil participantes, e estimou que a crepitação estava presente em cerca de 41% da população geral analisada. Os autores, no entanto, classificaram como muito baixa a certeza dessa estimativa e observaram grande variação entre os estudos. A revisão também identificou associações entre ruídos e alterações presentes em exames de imagem, mas ressaltou que as evidências disponíveis não permitem transformar o barulho em diagnóstico.

O fisioterapeuta Breno Dourado explica que estalos isolados nem sempre indicam lesão e que a presença de outros sintomas pode justificar uma avaliação mais detalhada.

“Os estalos, por si só, não representam uma lesão ou um desgaste. Eles podem estar associados à tensão de bolhas, principalmente no líquido que lubrifica a articulação, e ao deslizamento do tendão ou do ligamento que a envolve”, disse.

Dourado recomenda investigar os estalos quando aparecem junto com dor, limitação de movimento, fraqueza muscular ou baixa mobilidade. “É interessante procurar uma avaliação mais específica”, orienta, para identificar possíveis comprometimentos ou lesões na articulação.

O que a fisioterapia pode avaliar

Na consulta, o fisioterapeuta pode investigar quando o estalo aparece, se há dor e quais movimentos estão limitados. A avaliação também considera força, mobilidade, equilíbrio e a execução de atividades como caminhar, agachar ou subir degraus. O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional prevê avaliação, diagnóstico e reavaliação fisioterapêuticos, além da possibilidade de encaminhamento a outros profissionais quando necessário.

A conduta depende do quadro encontrado. Quando há dor ou perda de função, o plano pode incluir exercícios terapêuticos e orientações individualizadas para recuperar força e movimento. Um ensaio clínico brasileiro com 100 pessoas com osteoartrite no joelho comparou um programa de exercícios que incluía bicicleta, alongamento e fortalecimento do quadríceps, com um grupo que recebeu orientações. Após oito semanas, o grupo de exercícios apresentou melhora em medidas de dor, rigidez e função.

Segundo Dourado, a avaliação começa pelos sintomas e pelo histórico do paciente, incluindo episódios anteriores de estalos ou lesões. O profissional também pode realizar testes de força, amplitude de movimento e mobilidade articular. “Nem todo estalo pode ser uma lesão”, afirma. “Cada paciente precisa ser individualizado” para que o tratamento corresponda às suas necessidades.

“O tratamento se dá pelo controle da dor, pelo ganho de amplitude de movimento e pelo ganho de força muscular. Depois do tratamento fisioterapêutico, a musculação é uma grande aliada na continuidade do cuidado e, principalmente, na prevenção de futuras lesões”, explica o especialista.

Dor intensa após uma queda ou torção, inchaço importante, dificuldade para apoiar o peso, joelho travado ou sensação recorrente de que a articulação falha são sinais para procurar avaliação. Febre acompanhada de vermelhidão e calor no joelho também requer atendimento rápido. Já um estalo ocasional, sem dor nem limitação, não confirma uma lesão: a indicação de cuidado depende do conjunto de sintomas e do exame profissional.

O fisioterapeuta orienta a observar outros sintomas além dos estalos. “Nem todo estalo pode ser uma lesão, mas pode ser um sinal de que há algo errado”, afirma. Se o ruído vier acompanhado de dor persistente, inchaço ou dificuldade de movimentar o membro, ele recomenda buscar avaliação profissional.

“Se esses estalos estiverem acompanhados de dor persistente, inchaço ou dificuldade para movimentar o membro, é importante procurar a avaliação de um médico ortopedista e de um fisioterapeuta. Se houver dor intensa, incapacidade de movimentar o membro, deformidade ou inchaço significativo, é importante procurar um serviço de urgência para uma avaliação mais rápida e precisa”, finalizou

*Com informações Onda Digital

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